Edição nº 19 - 31/03/2010

As publicações abertas e sua influência no mundo moderno e sem fronteiras - Estudo Técnico -

João Roberto Moreira Alves (*)
Eduardo Desiderati Alves (**)

Crescem, em todo o mundo, os movimentos favoráveis à existência de publicações gratuitas disseminadas através da internet.

Autores, editores e provedores de acesso estão no centro das discussões e crescem os que se aliam tanto à um lado como à outro, reduzindo sensivelmente os que normalmente não possuem opiniões formadas a respeito do tema.

Congressos e estudos vem sendo intensificados, com excelentes trabalhos pró e contra.

Esse debate é extremamente interessante para a comunidade educacional, especialmente a que tem maior ênfase na metodologia da educação a distância, onde a leitura de obras abertas é de grande valia para complementação dos textos que normalmente são inseridos nos materiais didáticos dos cursos de graduação e de pós-graduação.

Os livros, revistas científicas, jornais e outros periódicos de código aberto tendem a crescer, até mesmo por opção de seus responsáveis. O que se evidencia é que mais do que o recebimento pelos direitos autorais é relevante a disseminação das idéais.

Não é novo o movimento do Mercado Comum do Conhecimento, objeto de projeto sob a égide da Organizações dos Estados Americanos. Há mais de dez anos num memorável encontro da Organização Universitária Interamericana (OUI) realizado na cidade de San José, na Costa Rica, o tema já era objeto de painéis de trabalho pelos reitores do continente americano.

Mais tarde, a Europa ampliou os trabalhos a favor da liberação, primeiramente, das revista científicas. A principal e justa razão é a que nas mesmas são publicados os resultados de pesquisas pagas pelos governos de muitos países. Por que dever-se-ia cobrar para se saber as conclusões de estudos que foram feitos pelos pesquisadores custeados pelos cofres públicos?

Os portais de domínio público mostram significativa demanda, favorecendo a estudantes, professores, pesquisadores e todas as pessoas que se interessam pela aprendizagem.

A polêmica maior surgiu quando os sites passaram a disponibilizar livros de graça. O Google, um dos mais respeitados buscadores mundiais, anunciou sua disposição de dar sequencia a esse política de ampliação dos acervos digitais.

O assunto chegou aos tribunais americanos e foi estabelecido um macro acordo com todos os que entendem ter a propriedade intelectual atingida. A empresa passou a contar com a Google Books, que digitalizará e os oferecerá on-line gratuitamente e a Google Editions, que atuará com os autores que pretendem comercializar seus trabalhos. No projeto inicial, que vigorará a partir de 2010, nesse segundo segmento estarão envolvidos entre 400.000 e 600.000 títulos.

As sucessivas edições da Feira Internacional de Frankfurt, o mais importante evento mundial de livros, possilibilitará, anualmente, se vislumbrar os cenários para os próximos anos.

Considerando a relevância do assunto até a Comissão Européia vem atuando no processo de mediação.

Ao lado da discussão dos livros gratuitos (ou não) surgiu também o princípio da imprensa gratuita, que programou o seu primeiro congresso mundial, para Madrid, com a presença confirmada de mais de vinte países. O objetivo é aumentar o número de veículos que aceitam participar, com jornais e revistas não científicas, nesse processo.

Enfim, o grande debate mundial que se estabelece é se o conhecimento deva ou não ser um bem de interesse público. Os primeiros anos da próxima década serão marcados por amplas discussões e, com certeza, extraordinários defensores das duas situações.

(*) Presidente do Instituto de Pesquisas Avançadas em Educação
(**) Diretor do Grupo BESF – Brasil Educação Sem Fronteiras

Arquivo:
Edição Atual: As publicações abertas e sua influência no mundo moderno e sem fronteiras - Estudo Técnico
Edição nº 18 - 02/03/2010: O crescimento da população mundial e os desafios da educação - Estudo Técnico
Edição nº 17 - 15/01/2010: Aspectos quantitativos da educação superior brasileira - Estudo Técnico
Edição nº 16 - 02/09/2009: O uso da educação a distância nos programas sociais
Edição nº 15 - 18/03/2009: As novas tecnologias e os reflexos nos direitos autorais
Edição nº 14 - 28/11/2008: Os avanços da tecnologia versus as posturas convencionais na educação
Edição nº 13 - 11/06/2008: A Expansão do Ensino Superior: A Economia de Mercado e suas Impactantes na Gestão das IES, no Papel dos Coordenadores de Cursos e Outros Atores. – Um Olhar Pessoal
Edição nº 12 - 15/05/2008: Ignorância prejudica
Edição nº 11 - 29/04/2008: SINAES AGONIZA
Edição nº 10 - 26/03/2008: Como mudar a educação com o uso de tecnologias
Edição nº 09 - 21/02/2008: A omissão governamental na educação brasileira e seus reflexosno desenvolvimento do país
Edição nº 08 - 30/11/2007: Transparência
Edição nº 07 - 06/11/2007: A educação superior a distância: uma análise de sua evolução no cenário brasileiro
Edição nº 06 - 15/10/2007: As Mudanças no Processo de Ensino Aprendizagem Diante das Novas Tecnologias
Edição nº 05 - 17/09/2007: Considerações acerca da versão preliminar sobre os novos Referenciais de Qualidade para Educação Superior através da Metodologia de Aprendizagem a Distância
Edição nº 04 - 30/08/2007: Avaliações internacionais põem educação brasileira em xeque
Edição nº 03 - 02/08/2007: Portarias Normativas da educação superior na modalidade a distância
Edição nº 02 - 26/06/2007: Educação a distância: uma necessidade social
Edição nº 01 - 18/05/2007: Ao Trabalho


Grupo BESF - Brasil Educação Sem Fronteiras
Av. Armando Lombardi, 800 - Slj 65h
Barra da Tijuca - Rio de Janeiro - RJ - CEP 22640-96
Tel.: 55-21-2533-5405
Fax.: 55-21-2135-5495
E-mail: