Edição nº 14 - 28/11/2008

Os avanços da tecnologia versus as posturas convencionais na educação

João Roberto Moreira Alves (*)
Eduardo Desiderati Alves (**)

A tecnologia vem contribuindo fortemente com o desenvolvimento da humanidade e, a cada momento, são notadas grandes descobertas em todas as partes do mundo.

As universidades e instituto especializados exercem um papel decisivo nesse processo eis que há investimentos vultosos nas pesquisas e no desenvolvimento de produtos e projetos.

Em todas as áreas há o surgimento de tecnologias, que acabam sendo utilizadas para o bem e para o mal.

Grandes inovações se transformaram em instrumentos de destruição e trouxeram grandes frustrações e tristezas para os seus idealizadores. Outras salvam vidas e alvancam o progresso.

No cômputo geral, há sinais mais positivos do que negativos.
No campo educacional vemos, com satisfação, a incorporação de novas “ferramentas” que aceleram a aprendizagem e tornam mais eficazes os sistemas de ensino, tanto na educação básica, como na superior.

Dentro desse contexto surgiu há mais de 170 anos a modalidade de educação a distância que possibilita, através de diversas formas, a democratização do saber. No passado o ensino por correspondência era o único elo de ligação entre o professor e o aluno; posteriormente surgiu o rádio, o cinema, a televisão e, mais recentemente, o computador, imprescindível para o uso da internet.

Os modernos meios de transmissão nem sempre foram bem aceitos pelos professores. Conta a história que, para a aceitação plena do livro impresso, houve uma demora de um século.

Essa postura convencional, muito comum ainda no ambiente escolar, precisa ser superada. Em diversos congressos, seminários, simpósios e outros eventos “cases” são relatados e mostram avanços ou retrocessos na aceitabilidade de novas posturas.

O progresso chega à escola, mas em passos mais lentos do que atinge outros segmentos; já temos um numero considerável de estabelecimentos que dão extraordinários exemplos de visões abertas e focos no futuro. Outros, ainda, não chegaram ao século 21 e, por opção inconsciente, caminham de volta para o século 19.

Um dos grandes testes de visão de passado ou de futuro está chegando agora às unidades educacionais e se refere ao uso das vídeos conferencias no processo de avaliação dos alunos.

A tradição é a realização de provas presenciais para se dimensionar o nível de conhecimento dos discentes. O principal argumento de defesa dos tradicionalistas é que é preciso se evitar fraudes no processo e nada melhor do que o velho sistema do cara a cara.

Mas... será que isso é realmente preciso? Particularmente entendemos que não!

As vídeo conferências, hoje já aprovadas até para julgar presos e absolvê-los ou condená-los às prisões são aceitas no mundo jurídico. A telemedicina já é um sucesso em todo o mundo mas, na educação, a legislação educacional não valida as avaliações a distância.

Não se aceita a telepresença ou presença virtual, mesmo que as partes envolvidas tenham potentes equipamentos e sistemas eficazes de segurança.

Como mudar essa postura inflexível? Com novas normas legais ou com atitudes?

A resposta está mais nas mãos dos educadores do que dos legisladores e aí fica a nossa grande esperança de incorporação das tecnologias úteis e relevantes à educação.

(*) Presidente do Instituto de Pesquisas Avançadas em Educação
(**) Diretor do Grupo BESF – Brasil Educação Sem Fronteiras

 

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