Edição nº 13 - 11/06/2008

A Expansão do Ensino Superior: A Economia de Mercado e suas Impactantes na Gestão das IES, no Papel dos Coordenadores de Cursos e Outros Atores. – Um Olhar Pessoal

Ronaldo Wanderson Soares
Grupo Educacional ASSEDIPA

É no mínimo curioso, e estarrecedor o baixo nível de empresariamento das instituições de ensino e, sobretudo, as alicerçadas no empreendedorismo familiar ou eclesiástico. A competitividade aguçada pela imersão na economia de mercado que as instituições, sobretudo, as de ensino superior foram alcançadas, pegaram de assalto mantenedores, gestores e coordenadores de cursos. Há organizações que ainda não encontraram caminho, dado o nível avassalador que este novo mercado as arrebateu. Instituições decanas e de reconhecido valor junto à comunidade que lhe cerca se viram numa disputa com entrantes que, sobretudo, traziam consigo uma vantagem competitiva inerente à sua juventude: A ausência de passivos fiscais, trabalhistas e previdenciários e, sobretudo, uma nova cultura organizacional. As instituições tradicionais ainda não conseguiram antídotos que as possibilitassem oferecer serviços educacionais com a qualidade reconhecida a preços competitivos. Oferecer recursos tecnológicos de ponta que atendam a expectativa dos potenciais discentes e condições de conforto consagradas como essenciais para os atuais padrões de exigência da sociedade, e dentro deste contexto, do alunado.

O Vale-do-Aço é um exemplo de que como um novo painel de oportunidades surgiu através de novas instituições e como as antigas responderam (respondem?) a estas novas demandas. Sob o invólucro de confessional, a atual Unileste/UBEC, que já fora Universidade do Trabalho, Universidade Católica de Minas Gerais, PUC – Campus de Coronel Fabriciano, Instituto Católico de Minas Gerais e agora está nas mãos da União Brasiliense de Educação e Cultura já é a resposta a este novo quadro. Os passivos e ativos da mantenedora anterior foram transferidos à UBEC como a única forma de fazer frente aos novos entrantes (Faculdades Pitágoras e UNIPAC). Também, neste contexto, faculdades isoladas pertencentes a grupos familiares se estagnaram e passaram ver seu “share” sendo diminuído pelo oferecimento de seus cursos por grandes instituições que com custos diluídos os oferecem por preços mais atraentes.

No nível fundamental e médio, a competitividade ficou acirrada com o setor público. Este melhorou as condições de oferta, estrutura física, capacitação e qualificação profissional de docentes e, aliado ao achatamento do poder de compra da classe média, expandiu o número de turmas e absorve novas demandas. Enquanto isto, a escola privada viu seu público minguar e, em alguns casos, extinguir, completamente a oferta para os anos iniciais do ensino fundamental.

Na, agora, região metropolitana do Vale-do-Aço, se vê, também, outro fenômeno de mercado: os cursos de Educação a Distância oferecido em suas diversas versões (semi-presencial, totalmente via internet, etc.) . As UNINTER/FACINTER, UNIUBE, UNIMES, UNITOCANTINS e tantas outras com os seus pólos locais, pulverizam o mercado de tal forma que os cursos tradicionais ficam, praticamente, delimitados à faixa dos 18 aos 25 anos.

É a atual realidade do mercado da educação em todo o Vale-do-Aço, e acredito não ser exclusivo dele. A profissionalização e mais que isto, a criação de novos mercados se faz urgente para evitar o total desaparecimento destas instituições. Parcerias estratégicas, incorporação a outras instituições, fusões, descentralização da gestão, pulverização dos investimentos alocando-os para áreas afins (EAD, E-learning, Educação Corporativa, Geração de conteúdo para novas mídias, etc.) são algumas das ações que proporcionariam maior longevidade. Todavia, algumas instituições carecem de um profundo processo de modernização administrativa baseado nas premissas básicas do equilíbrio financeiro (despesa menor que receita)  reinvestimento em estrutura física e tecnológica e, sobretudo, a otimização do capital humano. As instituições se valerão no futuro, dado o potencial equilíbrio nos demais aspectos (preço, estrutura física e acessibilidade), do diferencial de suas equipes. Este diferencial deve ser hoje construído através de mecanismos que identifiquem, com maior precisão, talentos. Estes talentos sejam retidos por planos de carreira atraentes e, principalmente, mecanismos que irradiem e expandem o nível de sua resolutividade por toda organização elevando a média total dos colaboradores (corpo técnico-administrativo e docentes).

Outro aspecto que deve ser levado a um debate entre os que analisam as políticas públicas é o resgate do estado em setores que havia se reduzido a uma participação extremamente discreta ou mesmo à total ausência. Sem que percebêssemos, na segurança alimentar vimos implantar os “RPs” com a refeição ao valor simbólico de R$1,00. Na saúde o projeto “Farmácia Popular” com concorrência direta com os grandes laboratórios a preços simbólicos e gerando, nas grandes redes de drogarias, a obrigatoriedade de adotar o programa para mantê-la atuante junto ao seu público cativo. Na educação, o PRÓ-UNI, A expansão do número de vagas das Federais aos alunos advindos do ensino público, o FIES 100% e agora, a compra de vagas na rede privada para a construção de uma grande rede de bolsas de estudo para o ensino técnico e profissionalizante, indicam que o cenário é desafiador para os próximos anos. A concorrência estatal com a oferta da gratuidade aliada uma razoável qualidade, obriga aos gestores do ensino privado a primar aspectos como a estrutura física, status, convênios com grandes organizações para realização de estágios e cooptação de talentos, para fazer frente a este novo concorrente cujo apelo mercadológico é de inquestionável eficiência.

Outro ponto a se apresentar é queda, ano a ano, do crescimento populacional. As famílias, atualmente, limitam no máximo em dois a sua prole. Nos próximos anos, com a universalização de métodos contraceptivos às camadas mais carentes e o conceito de risco presente nos lares da classe média (drogas, gravidez na adolescência, etc. ) esta prole poderá ser reduzida ao máximo de 01 por casal.

E, diante do exposto, não se pode perder tempo com velhas fórmulas, crenças questionáveis, equipes obsoletas, baixo valor agregado, políticas e filosofias de um mundo que não é mais o mesmo. As IES, como as IEMédio e Fundamental não podem repetir ações que ecoaram num passado distante de uma forma e hoje são de efeito pouco construtivo. É necessário que se possibilite a renovação (quer que se faça frente às arrojadas organizações que lideram o mercado educacional no país).

O setor educacional no país é ainda o mais atrasado na incorporação de métodos próprios da gestão das empresas. Faço aqui da minha expectativa um apelo para que instituições de um passado de contribuições irrefutáveis ao povo brasileiro não componham um quadro triste de desconsolo e angustiante de salas vazias. Reajam e postulem-se para um maior equilíbrio entre a força do capital e das idéias.

 

» Ronaldo Wanderson Soares

 

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