Edição nº 18 - 02/03/2010

O crescimento da população mundial e os desafios da educação - Estudo Técnico -

João Roberto Moreira Alves (*)
Eduardo Desiderati Alves (**)

O crescimento da população mundial exigirá novas estratégias para que a humanidade consiga superar os desafios que se apresentarão nos próximos anos.

Atualmente os cinco países mais populosos são China (1,345 bilhão), Índia (1,198 bilhão), Estados Unidos da América (314,7 milhões), Indonésia (230 milhões) e Brasil (193,7 milhões). As previsões para 2050 mostram mudanças nesse ranking populacional e são esperados que a ordem seja a seguinte: Índia (1,613 bilhão), China (1,417 bilhão), Estados Unidos (403,9 milhões), Paquistão (335,2 milhões) e Nigéria (289,1 milhões). O Brasil cairá para o oitavo lugar com 218,5 milhões.

Esses dados são do Relatório da População Mundial elaborado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

O planeta tem 6,8 bilhões de pessoas e está perto do limite máximo, segundo os especialistas.

Ao lado das preocupações com o meio ambiente, alimentação, saúde e educação se constituem como pilares de um grande processo de sustentabilidade.

Os efeitos do aquecimento global, com busca de compromissos de redução de emissões de gazes do efeito estufa, estão na pauta dos encontros que reúnem os mais importantes líderes das nações industrializadas.

Alimentação e saúde vêm sendo também objeto de profundos debates, especialmente porque não há barreiras geográficas em ambas as situações.

Mas, na área de educação, são tênues os compromissos. Muitos assumidos não são cumpridos, e se centram mais na universalização do acesso à educação.

Quase nada se estuda acerca da qualidade. Há, sem dúvidas, exames internacionais que medem os graus de absorção do conhecimento. O PISA é um dos mais valiosos instrumentos mas que não aponta soluções mas sim dá os sinais de sucesso ou fracasso das políticas públicas setoriais. É como se medisse a temperatura de um doente mas sem diagnosticar os males que o mesmo possui.

O crescimento populacional aliado à evolução da ciência e tecnologia precisam estar par a par com os cenários nacionais e internacionais.

A construção física de escolas e as dificuldades para manter sistemas de educação continuada podem ser superadas com a implantação de eficientes programas de educação a distância.

A aprendizagem terá que ser ao longo da vida pois os ensinamentos levados aos alunos normalmente em sua infância e juventude se tornarão obsoletos e cairão em desuso rapidamente. Igual realidade se dará nas universidades onde novas profissões surgirão com rapidez incalculável.

A superação desse desafio de proporcionar condições de absorção dos novos saberes é missão somente alcançável por meio de programas internacionais de EAD. Os intercâmbios físicos atenderão a apenas a uma pequena parcela da população e normalmente agrupada nas elites. A grande massa populacional terá que se valer dos crescentes meios de comunicação que, cada vez mais acessíveis, tanto em termos técnicos, como em valores financeiros, para obter condições de sustentabilidade.

Em face disso fica clara a relevância de mecanismos mais simples que permitam os estudos internacionais. A educação, sem a existência de restrições quanto à sua validação governamental, será a tônica nas próximas décadas. Prosperarão os países que abrirem suas fronteiras ao conhecimento e isso somente se dará em decorrência da visão de seus governantes.

(*) Presidente do Instituto de Pesquisas Avançadas em Educação
(**) Diretor do Grupo BESF – Brasil Educação Sem Fronteiras

Arquivo:
Edição Atual: O crescimento da população mundial e os desafios da educação - Estudo Técnico
Edição nº 17 - 15/01/2010: Aspectos quantitativos da educação superior brasileira - Estudo Técnico
Edição nº 16 - 02/09/2009: O uso da educação a distância nos programas sociais
Edição nº 15 - 18/03/2009: As novas tecnologias e os reflexos nos direitos autorais
Edição nº 14 - 28/11/2008: Os avanços da tecnologia versus as posturas convencionais na educação
Edição nº 13 - 11/06/2008: A Expansão do Ensino Superior: A Economia de Mercado e suas Impactantes na Gestão das IES, no Papel dos Coordenadores de Cursos e Outros Atores. – Um Olhar Pessoal
Edição nº 12 - 15/05/2008: Ignorância prejudica
Edição nº 11 - 29/04/2008: SINAES AGONIZA
Edição nº 10 - 26/03/2008: Como mudar a educação com o uso de tecnologias
Edição nº 09 - 21/02/2008: A omissão governamental na educação brasileira e seus reflexosno desenvolvimento do país
Edição nº 08 - 30/11/2007: Transparência
Edição nº 07 - 06/11/2007: A educação superior a distância: uma análise de sua evolução no cenário brasileiro
Edição nº 06 - 15/10/2007: As Mudanças no Processo de Ensino Aprendizagem Diante das Novas Tecnologias
Edição nº 05 - 17/09/2007: Considerações acerca da versão preliminar sobre os novos Referenciais de Qualidade para Educação Superior através da Metodologia de Aprendizagem a Distância
Edição nº 04 - 30/08/2007: Avaliações internacionais põem educação brasileira em xeque
Edição nº 03 - 02/08/2007: Portarias Normativas da educação superior na modalidade a distância
Edição nº 02 - 26/06/2007: Educação a distância: uma necessidade social
Edição nº 01 - 18/05/2007: Ao Trabalho


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